Quando o uso de maconha vira excessivo? Estudo define limite

  • 13/01/2026
(Foto: Reprodução)
Detalhes de uma flor de cannabis Reprodução Um estudo publicado na revista da Sociedade para o Estudo da Dependência Química nesta segunda-feira (12) estimou qual é a dose semanal de maconha a partir da qual há um aumento significativo do risco de desenvolver transtorno por uso de cannabis (TUC). Estima-se que 22% dos consumidores de maconha em algum momento sofrerão de TUC. O transtorno ocorre quando alguém não consegue mais controlar adequadamente o uso da maconha, apesar dos problemas evidentes na vida cotidiana. Normalmente, os compromissos com a escola, o trabalho ou a família são negligenciados, e ocorrem sintomas de abstinência, como inquietação ou distúrbios do sono, quando se tenta parar de consumir a droga. A pesquisa chefiada pela psicóloga e pesquisadora de dependência química na Universidade de Bath, no Reino Unido, Rachel L. Thorne, definiu que cada unidade de tetrahidrocanabinol (THC), responsável pelos efeitos psicoativos da maconha, equivale a 5 miligramas. O objetivo foi ter uma medida análoga à usada para medir o consumo de doses de álcool. O estudo concluiu que o consumo de 6 unidades de THC (30 mg) por semana por adolescentes e 8,3 unidades por adultos (41,3 mg) é suficiente para o desenvolvimento de sintomas de TUC. Caso o consumo seja superior a 6,45 unidades (32,2 mg) por adolescentes e 13,4 unidades (67 mg) por adultos, há risco de transtorno moderado a grave. Veja os vídeos que estão em alta no g1 "Este artigo representa o que acreditamos ser a primeira tentativa de determinar os limites de risco de TUC por unidades padrão semanais de THC consumidas", afirmam os pesquisadores, que reconhecem que outros fatores, além da frequência e quantidade, também podem aumentar o risco de um indivíduo desenvolver sintomas de TUC. Ao contrário do álcool, a maconha contém muitos ingredientes ativos cuja interação influencia seus efeitos e riscos. Embora o THC seja o fator de risco mais importante, outros canabinoides e o método de consumo – baseados, vaporizadores ou comestíveis – alteram significativamente a dose e os efeitos. Mesmo assim, os resultados indicam que o consumo diário de um baseado é o suficiente para o desenvolvimento de TUC em qualquer idade, diz o estudo. Outras pesquisas estimaram que um baseado médio tem cerca de 7 mg de THC. Diferentes doses para adolescentes e adultos Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores usaram dados do estudo CannTeen, com 85 adolescentes (16 e 17 anos) e 65 adultos (26 a 29 anos) que haviam consumido maconha de forma regular no ano anterior. O referido estudo entrevistou os usuários cinco vezes ao longo de um ano, e ao final desse período fez um diagnóstico clínico de TUC. A amostra é pequena, com um total de 150 pessoas, e o teor real de THC dos produtos consumidos teve que ser estimado a partir de fontes externas, pois não havia análises laboratoriais das amostras individuais consumidas. No entanto, a sensibilidade dos limites de consumo definidos em todos os modelos pela pesquisa publicada nesta segunda-feira demonstrou ser alta, capaz de identificar corretamente 9 em cada 10 indivíduos com TUC. A controvérsia sobre estabelecer limite do consumo Os valores limite não substituem a análise médica para o diagnóstico e tratamento, mas podem ajudar na triagem inicial e mesmo orientar consumidores, defendem os pesquisadores. Os números devem, portanto, serem entendidos mais como orientações iniciais do que como limites rígidos, mas confirmam que quanto maior a ingestão semanal de THC, maior o risco de desenvolver um transtorno por uso de cannabis. "Essas descobertas podem ajudar no desenvolvimento de diretrizes de menor risco para o uso de maconha, para ajudar aqueles que usam maconha e desejam reduzir o risco de danos, optando por consumir menos THC do que os limites semanais", diz a pesquisa. Ou seja, com o estabelecimento de limites de consumo, especialistas podem avaliar melhor o risco ou identificar um distúrbio emergente mais cedo. No entanto, o texto destaca que apenas a abstinência é "segura" quando se trata de evitar desenvolver TUC. "Os valores limite são geralmente muito úteis para comunicar os riscos para a saúde", afirma Jakob Manthey, do Centro de Pesquisa Interdisciplinar sobre Dependência do Centro Médico Universitário de Hamburgo-Eppendorf (UKE). "[Mas também leva ao] perigo de que o consumo abaixo do limite seja interpretado como inofensivo ou mesmo benéfico para a saúde", conclui ele, que não participou do estudo. Consumidores desconhecem teor de THC Um problema central continua sendo a aplicação prática desses limites: muitos consumidores não sabem o teor de THC de seus produtos, especialmente no caso de cultivo doméstico ou fontes ilegais. "Com as regras atualmente em vigor, não haverá uma comunicação nacional das unidades de THC, pois os consumidores muitas vezes não têm uma maneira confiável de saber o teor de THC dos produtos disponíveis", diz Manthey. O neurofarmacologista britânico David Nutt, no entanto, considera que os resultados da pesquisa são um passo importante. Os dados oferecem "uma estimativa de um limite para o consumo semanal para minimizar o risco de dependência", enfatiza. Ele defende um mercado regulamentado de maconha com unidades de THC claramente rotuladas – semelhante ao álcool. Só assim os consumidores podem realmente controlar seus riscos. As unidades de THC propostas poderiam, portanto, esclarecer a discussão até então vaga sobre qual o limite do uso "alto" ou "arriscado" da maconha. Anvisa autoriza que Embrapa pesquise o cultivo de cannabis no Brasil

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/01/13/quando-o-uso-de-maconha-vira-excessivo-estudo-define-limite.ghtml


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